Estimados alunos, encarregados de educação, docentes, funcionários e parceiros da Escola Portuguesa de Luanda,

É com grande honra que assumo a liderança da CAP da Escola Portuguesa de Luanda. Iniciar este percurso numa instituição que celebra quatro décadas de história é, simultaneamente, um privilégio e uma enorme responsabilidade.
Integro este projeto trazendo comigo a experiência de gestão e liderança administrativo-pedagógica em contextos internacionais ímpares, nomeadamente na Escola Portuguesa de Díli, Timor-Leste e na Escola Portuguesa de Macau, na China.
Estas vivências em geografias e culturas tão ricas e diversas reforçaram a minha convicção de que uma escola de matriz portuguesa no estrangeiro deve ser um espaço de exigência académica, mas também um farol de multiculturalidade, inclusão e cooperação.
O meu compromisso convosco assenta na continuidade do trabalho de excelência que caracteriza a Escola Portuguesa de Luanda, promovendo a inovação pedagógica, a estabilidade institucional e o diálogo constante com toda a comunidade educativa.
Estamos focados em preparar os nossos alunos para os desafios globais, sem nunca esquecer os laços de afeto e proximidade que unem Portugal e Angola.
Conto com o empenho e a colaboração de todos para continuarmos a construir o sucesso desta grande escola.
Assumir uma nova liderança quando uma Escola celebra quarenta anos coloca inevitavelmente uma pergunta: o que queremos que seja a Escola Portuguesa de Luanda nas próximas décadas?
Uma escola não pertence ao seu Presidente. Nem pertence a uma direção, a um grupo profissional ou a uma geração.
Uma escola pertence, de alguma forma, a todos aqueles que nela depositam uma parte da sua vida e a todos aqueles que assumem a responsabilidade de cuidar do seu futuro.
É por isso que desejo que este novo ciclo seja construído com professores, alunos, famílias e trabalhadores. Com exigência, certamente, porque não acredito numa educação de qualidade sem exigência. Mas também com diálogo, confiança, participação e sentido de pertença.
Quero uma Escola que saiba escutar.
Uma Escola capaz de reconhecer aquilo que faz bem, mas suficientemente inquieta para perceber aquilo que pode fazer melhor.
Uma Escola academicamente exigente, pedagogicamente inovadora e humanamente próxima.
Uma Escola que valorize os seus professores e compreenda que nenhum projeto educativo pode ser melhor do que as pessoas que diariamente lhe dão vida.
Uma Escola onde os alunos aprendam matemática, ciências, línguas, literatura, artes e tecnologia, mas onde aprendam também algo que nenhuma classificação consegue medir inteiramente: a pensar, a perguntar, a respeitar, a discordar, a escolher e a assumir responsabilidade pelas suas escolhas.
Educar é ajudar a construir pessoas livres.
Há uma palavra que me ocorre frequentemente quando penso neste momento: legado.
Receber uma Escola com quarenta anos significa receber um legado que não nos pertence inteiramente. Foi-nos confiado. E tudo aquilo que nos é confiado traz consigo uma obrigação: cuidar, melhorar e transmitir.
Daqui a alguns anos, outros ocuparão os lugares que hoje ocupamos. Outros professores entrarão nas nossas salas. Outros alunos atravessarão os portões da Escola. Outros dirigentes terão a responsabilidade de decidir.
A pergunta que verdadeiramente importa será então muito simples: que Escola lhes deixámos?
Gostaria que pudéssemos responder que deixámos uma Escola melhor. Mais forte na sua identidade. Mais exigente na qualidade das aprendizagens. Mais aberta à inovação. Mais próxima das famílias. Mais ligada à sociedade angolana. Mais capaz de estabelecer pontes entre Angola e Portugal. Mais consciente da responsabilidade de ensinar e difundir a língua e a cultura portuguesas.
E, acima de tudo, uma Escola profundamente consciente de que cada aluno é uma pessoa e de que nenhuma decisão educativa deve perder de vista essa dimensão humana.
Mas a gratidão pelo passado não pode transformar-se em nostalgia.
As grandes instituições respeitam a sua história precisamente porque têm confiança suficiente para continuar a mudá-la.
Começamos porque outros começaram antes de nós. Continuamos porque outros construíram. E mudaremos aquilo que for necessário mudar porque também temos a obrigação de deixar caminho para aqueles que virão depois.
É assim que compreendo a responsabilidade que agora assumo.
Conto com o empenho e a colaboração de todos para continuarmos a construir o sucesso desta grande escola.

Acácio José Azevedo de Brito
Presidente CAP

 

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