Nos dias 24 e 25 deste mês, o palco da EPL voltou a ser atravessado pelas almas inquietas do “Auto das Novíssimas Barcas”, uma adaptação moderna e criativa do clássico vicentino “Auto da Barca do Inferno”. Escrita pela professora Manuela Duarte, com a colaboração das professoras Ana Gonzalez e Vanda Alves, e com o apoio de alguns estudantes, esta peça — ensaiada com paixão pelos alunos do Clube de Teatro ao longo dos últimos quatro anos — transformou-se em muito mais do que uma simples representação teatral.
É, sobretudo, uma celebração coletiva da memória, da arte e da cultura, profundamente inspirada nos costumes e na realidade angolana, preservando a crítica social e a abordagem satírica características de Gil Vicente. O resultado é uma encenação que nos conduz por entre a reflexão e o riso — sendo este último, felizmente, o sentimento predominante.
Contámos com a presença dos nossos fiéis espectadores, muitos deles companheiros de longa data desta jornada artística. Este ano, tivemos ainda a honra de receber as crianças do Lar Kuzola, que partilharam com os nossos atores gargalhadas sinceras e momentos que certamente ficarão na memória. Essa participação foi possível graças ao patrocínio dos pais de alguns finalistas, que, além de oferecerem bilhetes, prepararam um lanche simbólico e afetuoso.
Mais do que arte, o espetáculo foi também um gesto de solidariedade: a receita das apresentações reverteu a favor dos alunos finalistas, contribuindo para a concretização da tão aguardada festa de final de ano.
Este evento marcou o início de uma temporada vibrante, que continuará ao longo do ano letivo: nos dias 23 e 24 de janeiro, os holofotes iluminarão “Os Deuses Também Dormem”; e nos dias 24 e 25 de abril, será a vez da aguardada estreia de “Para Ser Grande, Sê Inteiro”.
Para além do significado solidário e da oportunidade de conquistar novas plateias, esta apresentação de “Auto das Novíssimas Barcas” carrega um profundo valor emocional — tanto para os alunos que nela participam quanto para as professoras que a dirigem. Foi a última atuação dos atores fundadores do grupo de teatro, que agora se preparam para concluir a sua jornada na Escola Portuguesa de Luanda.
A cada apresentação, os jovens atores não apenas dão vida às suas personagens, mas também reafirmam o poder do teatro como espaço de reflexão, partilha e companheirismo.
O “Auto das Novíssimas Barcas” não é apenas uma encenação: é um legado vivo e indelével, que pulsa no coração da nossa comunidade escolar.
Bridgite Correia, Isabella Domingues e Leandro Lopes